espaço arte contemporânea

Exposições

PEDRO CASQUEIRO
Missão Fria


Curadoria: Bruno Marchand

Inauguração 23 de Junho às 18h30
Exposição patente até dia 29 de Julho de 2017
De quarta a sábado das 15h às 20h (excepto feriados)

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Missão Fria é a primeira exposição de Pedro Casqueiro (Lisboa, 1959) na fundação carmona e costa. Composta maioritariamente por obras sobre papel ou cartão, esta exposição traz-nos a oportunidade de observar as subtis, mas importantes, transformações que estes suportes conferem à obra de um artista sobejamente conhecido pelo seu trabalho no campo da pintura. Mais do que transformações, trata-se de uma espécie de declinações que, invariavelmente, nos mostram um lado mais cru e mais sintético do seu trabalho e através das quais melhor se revelam as suas estruturas plástica e conceptual.
Como o amplo conjunto de peças aqui reunido revela, é bastante desaconselhável procurar quaisquer índices de constância ou de coerência artística nas superfícies tão claramente díspares dos trabalhos de Pedro Casqueiro. Mais do que nas suas aparências e morfologias, é no modo como as obras deste artista forjam um específico regime de experiência que se pode encontrar o elo aparentemente omisso da sua comunhão autoral. Efectivamente, o que as representações estilizadas de arquitecturas, os slogans e as palavras compostos em diferentes tipografias, os padrões abstractos, as sugestões de nuvens, as páginas com esquissos de grelhas tipográficas e notações avulsas, ou os fragmentos intervencionados de bandas desenhadas partilham não é nem um campo de referências iconológicas, nem um universo de interesses temáticos. O que as peças de Missão Fria partilham é um mesmo modus operandi, uma tendência para recorrer a um conjunto de códigos amplamente disseminados para criar um campo de expectativa que é, em si mesmo, a totalidade da experiência. Se quiséssemos recorrer a uma metáfora linguística, poderíamos dizer que, nestas obras, não é a mensagem que ganha preponderância; antes o próprio código e a sua capacidade sugestiva a desfilar frente aos nossos olhos, expurgado de tudo o que não seja a sua expressão em potência. Evidentemente, este posicionamento das obras de Pedro Casqueiro não significa que elas estejam privadas de conteúdo. O seu conteúdo está, isso sim, totalmente concentrado na simulação (que é outra maneira de dizer representação) das condições que permitem que reconheçamos uma potencial comunicação por intermédio de um específico e criterioso agenciamento dos sinais da sua expressão.

Bruno Marchand









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